Alceu Valença

O trovador elétrico do Nordeste

Alceu Valença
Nome Artístico
Alceu Valença
Nome verdadeiro
Alceu Paiva Valença
Data de nascimento
1 de julho de 1946
Local de nascimento
São Bento do Una, Pernambuco

Dados Biográficos

Cantor, compositor e poeta, fez da mistura sua principal marca, com um pé firme no sertão nordestino e outro mergulhado no rock, no blues e na psicodelia. Sua música é território de encontros, entre o maracatu e a guitarra elétrica, o frevo e o folk, a embolada e a poesia modernista.

Nos anos 1970, já radicado no Recife, Alceu começou a chamar atenção em festivais e gravações ao lado de Geraldo Azevedo. A parceria de juventude resultou em um disco raro, Quadrafônico (1972), hoje bastante cultuado. Foi, no entanto, em carreira solo que ele consolidou sua identidade com performances viscerais, cheias de improviso, voz aguda e vibrante, quase cortante. Em pouco tempo, tornou-se figura única da MPB, ao lado de nomes como Gilberto Gil e Caetano Veloso, mas sempre com um sotaque inconfundível do agreste.

A casa de Alceu em Olinda é um capítulo à parte. É uma espécie de quartel-general afetivo, ponto de encontro de artistas, músicos e amigos. Durante o carnaval, com trajes coloridos e energia contagiante, se apresenta da janela de sua casa e arrasta multidões pelas ladeiras, transformando a própria cidade em extensão de seu palco.

Clássicos como Sol e Chuva, Anunciação, Na Primeira Manhã e Sete Desejos consolidaram sua popularidade nacional nos anos 1980, ao mesmo tempo em que nunca abandonou as raízes regionais. Sua obra, sempre híbrida, prova que a cultura popular do Nordeste não é folclore para ser guardado em vitrine, mas força viva, capaz de dialogar com guitarras, orquestras ou sintetizadores.

A inquietude criativa de Alceu também o levou por outros caminhos. Em 2014, estreou como diretor de cinema com A Luneta do Tempo, filme-poema que mistura cangaço, amor e lirismo sertanejo. No mesmo ano, lançou Valencianas, projeto em que revisita sua obra ao lado da Orquestra Ouro Preto, unindo sanfona e violino, frevo e sinfonia. O sucesso rendeu uma continuação, Valencianas II (2022), que reafirma sua vocação para cruzar fronteiras entre o popular e o erudito.

Poeta de imagens solares, trovador elétrico, mestre da ponte entre o regional e o universal, Alceu Valença construiu uma trajetória de resistência criativa. Até hoje, seus shows lotam praças, teatros e avenidas, sempre com o mesmo vigor de quem canta para celebrar e para contestar. Sua música é convite permanente a um Brasil plural onde o sertão encontra o mundo.

Dados Artísticos

Alceu Valença, pernambucano de São Bento do Una, é desses artistas que atravessam décadas sem nunca perder o frescor da invenção.

Discografias

Vivo!

Vivo!

1976