Ary Barroso

Aquarela do Brasil

Ary Barroso

Ary Barroso - Foto Reprodução

Nome Artístico
Ary Barroso
Nome verdadeiro
Ary Evangelista Barroso
Data de nascimento
7 de novembro de 1903
Local de nascimento
Ubá, Minas Gerais

Dados Biográficos

Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá, Minas Gerais, em 7 de novembro de 1903. Órfão ainda menino — perdeu os pais aos oito anos —, foi criado pela avó e pela tia que lhe deu as primeiras lições de piano; com doze anos já acompanhava filmes mudos ao piano em cinemas locais para ajudar na renda da casa.

A formação autodidata aliada a um gosto precoce por palco e rádio o levou cedo a uma carreira multifacetada: compositor, pianista, radialista, apresentador e comentarista esportivo.

Nos anos 1930 Ary consolidou-se como um dos nomes centrais da chamada “era do rádio” no Brasil, escrevendo marchinhas, choros e sambas que logo entraram no repertório nacional.

A partir de 1939, com “Aquarela do Brasil” — composta numa noite de chuva e assinada por ele mesmo — Barroso inventou, ou ao menos cristalizou, o subgênero do samba-exaltação: uma samba-canção grandiosa, patriótica e visual, que em inglês ficou conhecida simplesmente como “Brazil” e se tornaria sua peça-símbolo.

O alcance internacional veio quando “Aquarela do Brasil” entrou na trilha do curta da Disney “Saludos Amigos” (1942), animação criada durante a chamada “era latino-americana” dos estúdios.

Foi produzido no contexto da Política de Boa Vizinhança, quando os Estados Unidos buscavam fortalecer relações diplomáticas e culturais com países da América Latina durante a Segunda Guerra Mundial. A colaboração continuou em outra animação, a “The Three Caballeros” — onde outra de suas composições, “Na Baixa do Sapateiro” (popularizada como “Baía”), também ficou popular lá fora.

Por esse trabalho em cinema Ary recebeu em 1944 uma menção honrosa da Academia e seu nome passou a figurar entre os compositores brasileiros mais reconhecidos fora do país.

Além do êxito composicional, Ary movimentou-se com fluidez pelo universo das mídias: apresentou programas de rádio, trabalhou como locutor e repórter, escreveu e produziu; e mesmo com propostas no exterior manteve uma relação íntima com o Rio — e com o Flamengo, clube que dizia amar — recusando mudança permanente aos Estados Unidos para não se distanciar do time.

Sua obra é vasta, com cerca de duzentas e tantas composições, e atravessou gerações. “Aquarela do Brasil” transformou-se numa das canções brasileiras mais regravadas e foi, repetidas vezes, referência para arranjos sinfônicos, trilhas e interpretações pop. No Brasil, escolas de samba e concertos mantiveram vivo o nome de Ary; no exterior, músicos e orquestras seguiram reinterpretando sua paisagem sonora

Em 1955 recebeu da República Brasileira a Ordem Nacional do Mérito, reconhecimento oficial da importância de sua obra.

Ary Barroso morreu em 9 de fevereiro de 1964, no Rio de Janeiro; deixou, no entanto, um repertório que segue presente — ora em sambas de roda, ora em trilhas de filmes e ora nas gravações de grandes intérpretes — e uma imagem pública que condensa o brilho e as contradições do Brasil urbano do século XX: popular, teatral, patriótico e irremediavelmente musical.