Novos Baianos
A utopia em forma de música
Dados Biográficos
Os Novos Baianos nasceram como banda no início dos anos 1970, mas mais do que um grupo, tornaram-se uma experiência de vida. Moraes Moreira, Baby Consuelo (mais tarde Baby do Brasil), Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão se reuniram no Rio de Janeiro para criar uma obra que fundiu samba, rock, psicodelia e poesia em algo absolutamente inédito. O disco Acabou Chorare (1972) é o retrato máximo desse espírito – eleito inúmeras vezes como o melhor álbum da música brasileira, traduz a utopia de que era possível viver de música, amizade e liberdade.
Instalados em um sítio em Jacarepaguá, no Rio, os Novos Baianos viveram em comunidade, dividindo comida, instrumentos e ideias. Dessa convivência nasceu uma sonoridade plural, em que as guitarras de Pepeu se encontravam com o violão de Moraes e a voz cristalina de Baby, que dialogava com a malícia do samba de roda.
Clássicos como Brasil Pandeiro, Preta Pretinha, Besta é Tu e Acabou Chorare mostraram que o samba podia ser elétrico sem perder a cadência, que o rock podia ser tropical sem perder a potência. A aproximação com João Gilberto, que se tornou espécie de guru do grupo, consolidou o violão como centro da criação. Foi ele quem incentivou a banda a mergulhar ainda mais no samba, resultando no equilíbrio raro entre tradição e invenção que caracteriza sua obra.
Os Novos Baianos foram também um gesto de contracultura. Em plena ditadura, cantavam a alegria, a liberdade e a festa como resistência. Seu modo de viver em comunidade e suas canções vibrantes ofereciam um Brasil possível dentro do Brasil real.
A banda foi perdendo integrantes durante os anos, sendo Moraes Moreira o primeiro a deixar o grupo. Seu último álbum de estúdio foi Farol da Barra (1978). O reencontro na década de 1990 resultou no lançamento do álbum ao vivo Infinito Circular. Em março de 2017, se reuniram novamente, para a gravação do show onde tocaram o disco Acabou Chorare na íntegra. Os Novos Baianos representaram um ideal, o da música como espaço de convivência, invenção e reinvenção. Uma comunidade sonora que segue inspirando gerações.