Tom Jobim

Harmonia infinita

Tom Jobim

Tom Jobim - Divulgação - Otto Stupakoff

Nome Artístico
Tom Jobim
Nome verdadeiro
Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim
Data de nascimento
25 de janeiro de 1927
Local de nascimento
Tijuca, Rio de Janeiro

Dados Biográficos

Há artistas que afinam o mundo. Antonio Carlos Jobim foi um desses raros seres cujo um gesto mínimo já parecia acompanhar um ritmo secreto da natureza. Seu som tinha o cheiro do mar, a luz oblíqua da tarde carioca, o silêncio dos amores que não se explicam, só se vivem. Tom não escreveu canções, mas sim criou atmosferas musicais.

Nascido no Rio de Janeiro em 1927, Jobim cresceu entre pianos, livros e a poesia que o cercava sem pressa. Começou a estudar música ainda jovem, e mal percebeu quando aquele ofício virou destino. Nos bares de Copacabana e nos pequenos estúdios da cidade, ele foi aprendendo a desenhar harmonias complexas, porém naturais, sofisticadas, porém simples como um leve suspiro.

Tudo tomou outra forma quando, ao lado de Vinicius de Moraes, ele deu vida ao que viria a ser a Bossa Nova. Chega de Saudade, Garota de Ipanema e tantas outras canções transcenderam a música nacional e tornaram-se pontes entre o Brasil e o mundo. Assim, Jobim fez o planeta cantar em português, fez jazzistas americanos se curvarem diante da delicadeza tropical, fez do Rio de Janeiro, sua terra natal, uma partitura internacional. E, ao mesmo tempo, manteve sempre aquele jeito calmo, quase tímido, de quem carrega dentro de si muito mais música do que pode caber numa conversa.

Compositores, cantores, cineastas, arranjadores — todos o buscaram. Mas Tom continuava fiel ao que mais o movia: a observação dos detalhes. As árvores, os passarinhos, o céu mudando de cor ao fim da tarde. Nada era pequeno demais para virar melodia. Não à toa, ele dizia que a natureza é a maior artista de todas e talvez, por isso, suas canções pareçam sempre frescas, mesmo décadas depois: têm a eternidade das coisas que nascem verdadeiras.

Bom ressaltar que, ao longo da vida, Tom Jobim conquistou o mundo sem jamais perder o Rio. Entre gravações antológicas, prêmios internacionais e colaborações históricas, ele reuniu um cancioneiro que hoje é patrimônio cultural do planeta. Sua obra é estudada, reinterpretada, reverenciada, mas ainda assim permanece leve, como se tivesse acabado de ser composta num banco de praia, entre um gole de café e o som de um violão distante.

Morreu em 1994, mas sua música permaneceu onde sempre esteve: no ar. Ela continua soprando nos fones de ouvido, nas trilhas de filmes, nos bares, nos amores que começam tímidos, nos que se despedem em silêncio. Há algo de infinito em cada acorde seu — uma promessa de que a beleza existe, mesmo quando o mundo parece desafinar. E assim, quando a noite cai e a cidade abranda, é possível ouvir Tom conversar com o tempo. Cada nota que ele deixou é um lembrete suave de que a vida, quando bem tocada, pode ser puro encanto.