Inezita Barroso
A dama da música caipira

Inezita Barroso - Reprodução instagram
Dados Biográficos
Ignês Magdalena Aranha de Lima nasceu em São Paulo, em 1925, e se tornou para sempre Inezita Barroso — nome artístico que unia o apelido de infância ao sobrenome do marido. Cantora, atriz, pesquisadora e apresentadora, foi uma das figuras mais importantes na preservação e divulgação da música caipira e do folclore brasileiro.
Formada em Biblioteconomia e professora de Folclore, Inezita viajou o Brasil de jipe — do interior paulista ao Pará — registrando cantos, causos, instrumentos e tradições. Criou um dos maiores acervos da cultura popular brasileira, hoje sob a guarda do Instituto de Estudos Brasileiros da USP.
Desde menina, era inquieta. Tocava piano e violão aos 11 anos e, aos 25, já era presença nas rádios. Logo vieram os sucessos Marvada Pinga e Lampião de Gás, eternizados em sua voz firme e inconfundível. Inezita enfrentou preconceitos por ser mulher num universo dominado por homens — ouviu que “mulher não tocava viola” e respondeu com arte e coragem.
Brilhou também no cinema, em filmes como Carnaval em Lá Maior (que lhe rendeu os troféus Roquete Pinto e Saci), Ângela e O Craque. Mas foi na televisão que se consagrou: a partir de 1980, comandou o lendário “Viola, Minha Viola”, na TV Cultura. Durante 35 anos, transformou o programa num altar da música de raiz, acolhendo artistas de todo o país e mantendo viva a sonoridade cabocla.
Ao longo da carreira, gravou cerca de 90 discos e centenas de canções. Dizia que sua missão era cantar “a música tirada do peito pra fora” — simples, autêntica e feita com sentimento. Para ela, a grandeza da música brasileira estava na pureza de suas origens: nas modas de viola, nas cantigas de roda, nas histórias de boi, de fazenda, de saudade.
Inezita também defendeu a valorização do ensino da música regional nas escolas, acreditando que as crianças deveriam crescer ouvindo e recriando os sons do Brasil. Gravou obras de Villa-Lobos e Manuel Bandeira, unindo a sabedoria popular à erudição da arte. “Sou uma trabalhadora da fé”, dizia. E foi mesmo — pela voz, pela viola e pela crença inabalável na força da cultura brasileira. Inezita Barroso faleceu em 2015, aos 90 anos, deixando um legado que vai além da música: é um retrato da alma do Brasil.