Noel Rosa
Só pode ser você

Noel Rosa - Reprodução Instagram
Dados Biográficos
Noel de Medeiros Rosa nasceu em 11 de dezembro de 1910, no bairro da Vila Isabel, no Rio de Janeiro, e, mesmo vindo de uma família de classe média, carregou desde o nascimento uma má formação nunca tratada. Devido a complicações durante o parto, o uso de fórceps causou uma fratura na mandíbula, deixando o queixo levemente retraído e deformado.
Esse detalhe lhe rendeu o apelido de “Queixinho”, marcando sua vida para sempre, mas não contendo seu ímpeto artístico. Ainda adolescente, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e logo migrou para o violão, inspirando-se nos seresteiros e sambistas de sua vizinhança.
Em 1929, entrou para o grupo amador Bando de Tangarás, formado por jovens músicos do Rio de Janeiro, com quem gravou canções como “Minha Viola” e “Festa no Céu”. No ano seguinte, 1930, Noel compôs e gravou seu primeiro grande sucesso solo: “Com que Roupa?”, um samba que ironizava a pobreza e a gíria da época, com refrões pensados para o Carnaval.
Entre 1931 e 1936, compôs centenas de sambas e marchinhas, com tons cômicos, crítica social, boemia, amores e dores da cidade. Lançou clássicos como “Feitiço da Vila”, “Conversa de Botequim”, “Fita Amarela” e “Palpite Infeliz”, entre tantos outros que formariam o cancioneiro essencial da música popular brasileira.
Sua produção foi intensa, mas curta. Noel trabalhou profissionalmente entre cerca de 1929 e 1937 — menos de uma década — e, mesmo assim, compôs algo entre 259 e 300 músicas.
Aos 26 anos, em 4 de maio de 1937, Noel Rosa faleceu no Rio de Janeiro, vítima de tuberculose, agravada por sua vida de sambista regada a bebida, boemia e noites mal dormidas.
A brevidade de sua vida não impediu que seu legado atravessasse décadas. Com sua obra, Noel ajudou a construir uma identidade musical do Rio de Janeiro, articulando humor, boemia e referências da vida cotidiana e antecipando, de certa forma, a linguagem que viria a ser reconhecida como música popular brasileira.
Hoje, Noel Rosa é lembrado como “O Poeta da Vila”, uma das vozes mais originais e influentes da cultura nacional, homenageado por gerações de artistas e até por escolas de samba, como a Unidos de Vila Isabel, que em 2010 apresentou um enredo em sua homenagem.