O velho através do novo – Como o tik tok revive músicas antigas para gerações mais novas de forma orgânica

Cada vez mais os jovens estão descobrindo músicas antigas (e amando-as), mesmo sem querer

O velho através do novo – Como o tik tok revive músicas antigas para gerações mais novas de forma orgânica

Se você parar alguém na rua, que nasceu entre o fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000 e perguntar a eles o que foram nomes como Blitz, Furacão 2000, ou até mesmo Belo, provavelmente não saberão responder. E se arriscarem alguma resposta, chutariam algo como “uma expressão alemã”, “algum desastre natural” ou “o ex da Gracyanne Barbosa.”

Mesmo nessa bruma, porém, se cantarolar alguma de suas canções, eles complementariam com a letra e ainda com suas respectivas danças.

O motivo? As músicas de gerações passadas estão se proliferando novamente, mas de uma forma diferente do que de costume. Esqueça os Djs e lojas de discos, ou até mesmo as recomendações do Spotify.

Isso acontece graças ao TikTok, plataforma de vídeos que, mesmo em meio a uma era saturada de impulsionamentos pagos e algoritmos que priorizam o novo, se destaca como um reduto onde o passado musical brasileiro encontra nova vida.

Músicas de décadas passadas, como Farol das Estrelas do grupo Soweto (na época comandado por Belo) e sucessos B do movimento de funk Furacão 2000, estão sendo redescobertas por uma geração que não as viveu na época, mas que agora as incorpora em suas expressões digitais. Isso porque o algoritmo do TikTok favorece conteúdos que geram alto engajamento, como curtidas, compartilhamentos e tempo de visualização. Quando uma música antiga é associada a vídeos virais, ela tem a chance de alcançar uma audiência maior, mesmo décadas após seu lançamento original.

Esse fenômeno é impulsionado pela natureza da plataforma, que permite que músicas antigas sejam redescobertas e reinterpretadas de maneira orgânica pelos usuários, que por si só, inventam suas novas dancinhas e modas. Não seria assustador você ver baristas dançando Furacão 2000 para promover seus cafés ou adolescentes se emocionando com músicas de pagode da década de 1990 – na verdade, é cada vez mais comum.

Para além da música, as “trends” são uma comunicação em aberto, em forma de vídeo, para quem quiser ver, ouvir ou fazer a sua própria resposta. Entre a geração Z e a Alpha, o TikTok não é apenas uma plataforma de entretenimento, mas também um espaço de construção de identidade, e ali, a nostalgia desempenha um papel crucial nesse processo, permitindo que os jovens se conectem com épocas que não viveram, mas que, por meio da música e da cultura, sentissem como se fizessem parte.

Isso também impacta o mercado em geral, já que as músicas que se tornam virais na plataforma frequentemente alcançam posições de destaque em paradas como a Billboard, anos após seu lançamento inicial. A canção “Ecstasy”, de Suicidal Idol, lançada em 2021, por exemplo, ganhou popularidade no TikTok em 2023 e alcançou a posição número 26 nas paradas do Reino Unido.

Para além das dancinhas, existem ainda programas que mostram músicas novas para as pessoas, como perguntas sobre qual música escutam enquanto andam na rua.

Foi se o tempo que descobrir canções era possível apenas pelas capas de vinis, xeretando CDs na livraria ou ouvindo partes das faixas em fones de ouvido embutidos nas paredes – a rede social, originalmente criada para vídeos curtos de dança, trouxe uma nova forma de explorar a música que, mesmo em meio ao caos do algoritmo, permanece sendo parte de uma memória musical viva e inspiração para outras criações de novos artistas.