Vinícius de Moraes

O diplomata da poesia

Vinícius de Moraes

Vinicius de Moraes - Reprodução Instagram

Nome Artístico
Vinícius de Moraes
Nome verdadeiro
Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes
Data de nascimento
19 de outubro de 1913
Local de nascimento
Gávea, Rio de Janeiro

Dados Biográficos

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Foi com esse verso que Vinícius de Moraes traduziu não apenas uma filosofia, mas o próprio ritmo da sua existência. Poeta, diplomata, letrista, dramaturgo e amante do amor — Vinícius fez da palavra uma melodia e da vida, um samba eterno.

Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, sob o signo das paixões. Desde cedo, os versos o chamaram mais alto que a formalidade: formou-se em Direito, estudou em Oxford, tornou-se diplomata, mas sua alma se vestia de boemia, violão e poesia. Em meio a copos de uísque, guardanapos rabiscados e serenatas sob a lua carioca, Vinícius escrevia o Brasil em forma de sentimento.

Nos anos 1940, foi poeta da carne e do espírito. Mas seria em 1956 que o destino o colocaria diante de um encontro que mudaria a história da música brasileira: ao lado de Antônio Carlos Jobim, Vinícius começou a compor Orfeu da Conceição, peça que reinterpretava o mito grego de Orfeu em uma favela carioca. Dessa parceria nasceu uma das duplas mais brilhantes da música mundial — e, pouco depois, o movimento que daria novo ritmo à alma brasileira: a bossa nova.

Tom era a harmonia; Vinícius, a palavra. Juntos, criaram clássicos como Garota de Ipanema, Chega de Saudade, Insensatez e A Felicidade. Suas letras simples, sensuais e sofisticadas, levaram o Brasil aos salões de Paris, aos clubes de Nova York e às vozes de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Astrud Gilberto. O mundo se curvou diante da delicadeza de sua poesia, que transformava o cotidiano em beleza e o amor em verbo.

Entre amores vividos e perdidos, Vinícius casou-se nove vezes e escreveu infinitas vezes sobre o mesmo tema: o amor — seu maior ofício. Foi censurado, exonerado do Itamaraty durante a ditadura, e ainda assim nunca deixou de cantar. Trocou a diplomacia das nações pela diplomacia da emoção. Com parceiros como Baden Powell, Toquinho e o próprio Tom Jobim, fez da amizade uma forma de arte e da canção, um abrigo.

Vinícius morreu em 9 de julho de 1980, no Rio de Janeiro, cercado por música, amigos e memórias. Deixou um legado que atravessa gerações, uma poesia que ainda ecoa nas esquinas de Ipanema e nas partituras do mundo.